Justiça determina afastamento de gestoras do CAPS Infantojuvenil em Campo Grande por assédio moral

Justiça determina afastamento de gestoras do CAPS Infantojuvenil em Campo Grande por assédio moral

Em uma decisão que envolve graves acusações de assédio moral, o município de Campo Grande deverá afastar temporariamente duas gestoras do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil III (CAPS Infantojuvenil III) e da Coordenadoria da Rede de Atenção Psicossocial (CRAP). A determinação foi proferida pela Justiça do Trabalho a pedido do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) e reflete preocupações com a proteção dos direitos dos trabalhadores que atendem crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade mental.

Determinação Judicial

Na decisão, que ocorreu em 1º de outubro de 2026, o juiz Marco Antonio de Freitas, da 3ª Vara do Trabalho de Campo Grande, atendeu parcialmente ao pedido de tutela de urgência apresentado pelo MPT-MS. A ação civil pública apontou práticas de assédio moral interpessoal e institucional, que comprometem a qualidade do serviço prestado nas unidades de saúde mental.

Medidas Imediatas

As gestoras afetadas, a gerente do CAPS Infantojuvenil III e a diretora clínica, estão proibidas de exercer funções que envolvam poder de direção e gestão de pessoas. Isso inclui a elaboração de escalas, controle de jornada, aplicação de medidas disciplinares, entre outras atribuições. Além disso, a Justiça impôs a adoção de medidas que visem a proteger os trabalhadores de represálias e a instauração de um procedimento administrativo para apurar os fatos.

Ambiente de Trabalho Prejudicial

Os relatos apresentados pelo MPT-MS revelam um ambiente de trabalho marcado por intimidações, perseguições e humilhações. Profissionais que se manifestaram contra ordens abusivas ou que necessitaram de afastamentos por motivos de saúde enfrentaram retaliações, como mudanças de plantão e transferências consideradas punitivas. Tais práticas têm contribuído para a evasão de profissionais e fragilizado a prestação de serviços essenciais à população.

Impacto na Saúde Mental dos Trabalhadores

O magistrado enfatizou que a persistência de um ambiente de trabalho hostil pode levar a sérios problemas de saúde mental entre os trabalhadores, como a Síndrome de Burnout e transtornos depressivos e ansiosos. A decisão judicial visa interromper essa situação, que afeta diretamente a dignidade e os direitos dos profissionais.

Próximos Passos e Responsabilidades do Município

Além do afastamento das gestoras, o município deve implementar medidas que proíbam quaisquer atos de retaliação ou discriminação contra aqueles que se manifestaram ou que venham a atuar como testemunhas no processo. A Justiça também determinou a criação de uma comissão independente para investigar as denúncias, com um prazo de 15 dias para a sua instauração.

Conclusão

A intervenção judicial no CAPS Infantojuvenil III representa um passo importante para garantir um ambiente de trabalho saudável e seguro para os profissionais da saúde mental. A medida reflete a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores e assegurar a qualidade dos serviços prestados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O caso ressalta a importância de mecanismos de controle e responsabilidade nas instituições públicas de saúde.

Para mais informações, acesse o artigo completo no [Jornal Dia Dia](https://jornaldiadia.com.br/a-pedido-do-mpt-ms-gestoras-do-caps-infantojuvenil-de-campo-grande-deverao-ser-afastadas-por-assedio-moral/).

Links e documentos citados