Ao caminhar pelas ruas de Mirandópolis, a visão do Clube Atlético Mirandópolis (CAM) evoca uma onda de nostalgia em Ademar Bispo. As lembranças de sua infância e adolescência se entrelaçam com as experiências vividas dentro do clube, onde aprendeu a nadar, jogou futebol de salão e participou de danças nos domingos. A timidez o impedia de dançar, mas os bailes com orquestras famosas e as noites de carnaval deixaram marcas profundas em sua memória.
As Primeiras Experiências e os Desafios da Juventude
Ademar lembra-se de momentos em que, mesmo sem ser sócio, frequentava o clube quase diariamente. A paixão pelo esporte o levou a participar de campeonatos, até que um dia, seu Zé, o responsável pela portaria, o informou sobre a impossibilidade de continuar acessando as instalações. Mesmo assim, ele se aventurava a entrar escondido, evitando ser pego enquanto seus amigos ignoravam a situação, acreditando que ele estava machucado.
A Conquista da Sócio e Momentos de Glória
A proibição de entrar no CAM foi um golpe duro para Ademar, que via o clube como uma parte essencial de sua vida. Seu pai, reconhecendo a importância do clube, fez um grande esforço financeiro para garantir que seu filho se tornasse sócio. Este gesto foi um dos melhores presentes que Ademar já recebeu, e ele expressa sua vontade de ser um pai tão dedicado quanto foi seu pai para ele.
Recordações de Jogos e Amizades
Relembrando as partidas disputadas, Ademar evoca a emoção sentida ao entrar em quadra, rodeado por amigos como Gerson, Nata e Fenelon. Juntos, formavam uma seleção forte, capaz de deixar talentos como Kaneo de fora. A quadra coberta do clube traz à tona memórias de trabalho em equipe, competições acirradas e a camaradagem que existia entre os jogadores, além de eventos marcantes que moldaram sua juventude.
Desafios e Novas Oportunidades
Com a maioridade, Ademar se deparou novamente com a barreira da portaria, agora sendo solicitado a se tornar um sócio individual. As finanças da família não permitiam o pagamento de duas mensalidades, mas a solução apareceu na forma de seu tio Bento Guilherme, que, ao transferir seu título de sócio fundador, possibilitou que Ademar continuasse a frequentar o clube sem custo enquanto o empréstimo do tio não fosse quitado.
O Legado das Lembranças e o Presente
As memórias de Ademar estão repletas de sons e imagens do passado. O apito dos juízes, os gritos da torcida e a presença constante de seus pais nas arquibancadas são lembranças que aquecem seu coração. Ele também recorda de famílias queridas que acompanhavam os jogos, como a família Mustafa, e momentos especiais com sua primeira namorada, Marlene. Embora o tempo tenha passado, o carinho pelo clube e pela comunidade permanece vivo.
Um Retorno ao Presente
Enquanto observa o movimento ao redor do clube, um carro passa buzinando, trazendo Ademar de volta à realidade. Ele acena para alguém que não consegue identificar, simbolizando como as memórias do passado e o presente se entrelaçam. O CAM, com suas histórias e emoções, continua a ser uma parte fundamental da sua vida, um lugar onde não apenas cresceu, mas também onde as raízes de sua identidade foram plantadas.
Fonte: https://agoranaregiao.com.br
Valdei José (MTE 1134/MS) é Jornalista Profissional e Editor-chefe do JBR – Jornal Brasil Regional. Com Registro e foco em apuração ética e transparência, sua missão é cobrir os fatos do Brasil e Regiões. Acesse o perfil completo e conheça as áreas de expertise.