Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após falência do banco Ueno

Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após falência do banco Ueno

O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira a destituição do presidente Santiago Peña, em meio à crise política e financeira provocada pela falência do banco Ueno. O processo de impeachment avançou mesmo depois de Peña apresentar sua renúncia um dia antes. A decisão ocorreu após milhões de contas terem o acesso bloqueado e correntistas cobrarem uma resposta mais rápida das autoridades.

A notícia foi publicada pela Reuters, em reportagem assinada por Daniela Desantis, a partir de Assunção.

Impeachment aprovado após renúncia

Os parlamentares votaram pela destituição de Peña em um procedimento considerado rápido. O então presidente havia renunciado na quinta-feira, depois que veio à tona a falência do Ueno, instituição com a qual ele mantinha vínculos comerciais no passado.

Embora a renúncia já tivesse sido apresentada, o Senado deu continuidade ao processo político. As acusações listadas no pedido de impeachment relacionam Peña a possíveis conflitos de interesse, interferência na supervisão regulatória e desvio de recursos de fundos de previdência.

Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após falência do banco Ueno
© REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

Acusações envolvem banco central e fiscalização

Os parlamentares também acusaram o presidente de participar de um suposto encobrimento institucional envolvendo o banco central. As denúncias ampliaram a pressão sobre o governo e alimentaram dúvidas sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.

A crise deixou milhares de depositantes sem acesso imediato às próprias economias. O bloqueio das contas transformou o colapso do Ueno em uma emergência nacional, com impactos que ultrapassaram o setor bancário e atingiram diretamente famílias e empresas.

Protestos pressionam por indenização aos correntistas

Manifestantes voltaram ao centro de Assunção na noite de quinta-feira para exigir a responsabilização dos envolvidos na quebra do banco. Eles também reivindicaram que os depositantes sejam indenizados com maior rapidez, já que parte das economias continuava congelada.

FILE PHOTO: Paraguay's President Santiago Pena speaks during an interview with Reuters, in Asuncion, Paraguay August 21, 2024. REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo
FILE PHOTO: Paraguay's President Santiago Pena speaks during an interview with Reuters, in Asuncion, Paraguay August 21, 2024. REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo

Alguns correntistas começaram a recuperar o dinheiro na mesma noite, mas a liberação não resolveu a situação de todos os clientes. A extensão dos bloqueios e o ritmo dos ressarcimentos permanecem no centro das cobranças feitas às autoridades paraguaias.

Vice-presidente assume o comando

Com a renúncia de Peña, o vice-presidente assumiu o comando do país. A sucessão ocorre em um ambiente de forte instabilidade, marcado pela necessidade de restabelecer a confiança no sistema bancário e esclarecer as responsabilidades políticas e institucionais relacionadas à falência do Ueno.

A aprovação do impeachment acrescenta um desfecho formal à crise envolvendo o presidente, mas não encerra os problemas financeiros dos correntistas nem as investigações sobre a supervisão do banco. O governo terá de conciliar a transição política com as medidas para liberar recursos e responder às acusações apresentadas no Senado.

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A Agência Brasil informou sobre a renúncia do presidente do Paraguai em meio à crise bancária e a posse do vice-presidente.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br