OMS cobra conclusão urgente de tratado internacional sobre pandemias

OMS cobra conclusão urgente de tratado internacional sobre pandemias

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira (2) para a urgência de concluir um tratado internacional sobre pandemias. Segundo ele, epidemias recentes, como a de ebola na República Democrática do Congo (RDCongo), mostram que uma ameaça patogênica surgida em qualquer parte do mundo pode se transformar em risco para todos os países.

A declaração foi feita na abertura da nona reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental (GTI), realizada em Genebra. O encontro segue até 13 de novembro e tem como objetivo finalizar os pontos pendentes do acordo adotado em 2025, que deverá estabelecer uma estrutura global para a prevenção e a gestão de futuras pandemias.

OMS pede avanço nas negociações

Tedros pediu aos representantes dos países que concluam o trabalho e afirmou que o principal objetivo do tratado é proteger as populações. O diretor-geral destacou que países ricos e nações em desenvolvimento ainda não chegaram a um consenso sobre as regras de implementação do acordo.

OMS cobra conclusão urgente de tratado internacional sobre pandemias
© REUTERS/Denis Balibouse/Proibida reprodução

Para o dirigente, a experiência da covid-19 demonstrou que nenhum país consegue se proteger de uma pandemia atuando sozinho. Durante a crise sanitária, vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde, mas a distribuição foi desigual: enquanto alguns países receberam doses em quantidade superior às necessidades, outros tiveram de esperar.

Tedros afirmou que essa desigualdade provocou mortes, prolongou a pandemia e ampliou o risco de surgimento de novas variantes. Por isso, classificou a conclusão do tratado como fundamental para preparar o mundo para futuras emergências de saúde.

Rio Branco (AC), 07/05/2026 – Frasco da vacina Comirnaty JN.1 da Pfizer, que é indicada para a prevenção da COVID-19 aplicada durante o curso Sala de Vacina, da MSD, ministrado em Rio Branco (AC). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio Branco (AC), 07/05/2026 – Frasco da vacina Comirnaty JN.1 da Pfizer, que é indicada para a prevenção da COVID-19 aplicada durante o curso Sala de Vacina, da MSD, ministrado em Rio Branco (AC). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mecanismo de acesso a patógenos ainda está pendente

O acordo sobre pandemias foi concluído pelos Estados-membros da OMS em maio de 2025, mas uma questão considerada essencial ficou para ser negociada posteriormente. O ponto continua sem definição mesmo após oito reuniões do grupo de trabalho realizadas desde julho daquele ano.

A pendência está no anexo relativo ao Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios, conhecido pela sigla PABS. Sem esse dispositivo, o tratado global não poderá entrar em vigor.

O mecanismo deverá estabelecer como os países terão acesso a agentes patogênicos com potencial de causar pandemias e de que maneira serão compartilhados os benefícios resultantes das pesquisas, como vacinas, testes diagnósticos e tratamentos. Tedros definiu o PABS como “a última peça” que falta para completar o acordo.

Profissionais de saúde e equipes humanitárias que atuam na linha de frente da resposta ao ebola são vacinados em Beni, na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, 16 de outubro de 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/Foto de arquivo
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Epidemias recentes reforçam preocupação

Ao defender a aprovação do tratado, o diretor-geral da OMS citou uma misteriosa epidemia de hantavírus que matou três pessoas em um navio de cruzeiro em abril. Ele também mencionou o surto de ebola declarado em maio, que provocou quase 5 mil mortes entre mais de 10 mil pessoas infectadas, principalmente na RDCongo.

Na avaliação de Tedros, esses episódios lembram que doenças infecciosas podem ultrapassar rapidamente fronteiras e exigir respostas coordenadas. A expectativa é que a reunião do GTI permita superar as divergências e concluir as regras necessárias para que o tratado seja aplicado.

FILE PHOTO: World Health Organization chief Tedros Adhanom Ghebreyesus attends a ceremony to launch a multiyear partnership with Qatar on making FIFA Football World Cup 2022 and mega sporting events healthy and safe at the WHO headquarters, in Geneva, Switzerland, October 18, 2021. Fabrice Coffrini/ Pool via REUTERS/File Photo
FILE PHOTO: World Health Organization chief Tedros Adhanom Ghebreyesus attends a ceremony to launch a multiyear partnership with Qatar on making FIFA Football World Cup 2022 and mega sporting events healthy and safe at the WHO headquarters, in Geneva, Switzerland, October 18, 2021. Fabrice Coffrini/ Pool via REUTERS/File Photo

Cooperação internacional é apontada como prioridade

O tratado pretende transformar as lições da pandemia de covid-19 em mecanismos permanentes de cooperação. Entre os temas centrais estão o compartilhamento de informações e de agentes patogênicos e a distribuição mais equilibrada dos produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

Tedros afirmou que finalizar o acordo será decisivo para construir um futuro mais seguro. A OMS considera que a adoção de regras comuns pode reduzir desigualdades entre países e melhorar a capacidade internacional de resposta diante de novas ameaças sanitárias.

Leia mais na seção Saúde da Agência Brasil, além das informações relacionadas sobre o avanço do ebola na RDCongo e a avaliação da OMS sobre o surto de hantavírus.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br