Defesa de Daniel Vorcaro afirma que 657 arquivos do celular foram modificados após apreensão

Defesa de Daniel Vorcaro afirma que 657 arquivos do celular foram modificados após apreensão

A defesa de Daniel Vorcaro entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia particular que aponta alterações em arquivos do celular do ex-banqueiro. Segundo o laudo, 657 arquivos foram modificados e outros 436 foram criados depois que o aparelho foi apreendido pela Polícia Federal (PF).

O celular foi apreendido pela PF em 17 de novembro de 2025 e é considerado uma das principais provas da investigação sobre as relações de Vorcaro com políticos e as supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB).

A notícia integra a cobertura de Justiça da Agência Brasil.

Defesa de Daniel Vorcaro afirma que 657 arquivos do celular foram modificados após apreensão
© Secretaria da Administração Penitenciária-SP

Perícia questiona integridade do aparelho

De acordo com o documento apresentado ao STF, os registros de criação e modificação identificados nos arquivos ocorreram quando o celular já estava sob custódia da PF e do Estado. Para os advogados, não é possível verificar a integralidade do conteúdo apreendido nem dimensionar o alcance das alterações.

“É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado”, declarou a defesa.

Pedidos ao Supremo

Com base nas conclusões da perícia particular, os advogados solicitaram que a Polícia Federal entregue os dados originais do aparelho para uma verificação independente. A defesa também sustenta que as descobertas justificam a soltura de Vorcaro.

Os advogados afirmaram que o ex-banqueiro está preso há mais de oito meses e com a liberdade restringida há quase um ano, sem acusação formal ou perspectiva de abertura de processo. Por isso, classificaram a soltura como “urgente, necessária e obrigatória”.

Brasília (DF), 31/08/2023 - Movimentação no prédio sede da Polícia Federal, que ouve Bolsonaro e mais sete envolvidos no caso da venda de joias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 31/08/2023 – Movimentação no prédio sede da Polícia Federal, que ouve Bolsonaro e mais sete envolvidos no caso da venda de joias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Indiciamento na Operação Compliance

A apresentação do laudo ocorreu um dia após a PF indiciar Vorcaro e outros 14 investigados na Operação Compliance. Conforme o relatório policial, o ex-banqueiro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” em operações com carteiras de crédito consideradas irregulares do Banco Master, que teriam causado prejuízos ao BRB.

Segundo a PF, Vorcaro, na condição de controlador do Banco Master, ocupava o centro decisório da estrutura investigada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas a gerar liquidez para a instituição.

Todos os investigados foram acusados de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Agência Brasil publicou uma reportagem específica sobre o indiciamento de Vorcaro e dos demais investigados.

Brasília (DF), 06/03/2026 - Fotografia do banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP
Brasília (DF), 06/03/2026 – Fotografia do banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

Defesa nega prejuízo ao BRB

Após o indiciamento, os advogados de Vorcaro negaram que as operações envolvendo o BRB tenham provocado prejuízo ao banco público. Na avaliação da defesa, a PF apenas repetiu a narrativa apresentada no início das investigações, sem avançar na apuração.

A defesa declarou que o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. Segundo os advogados, os ativos foram substituídos por outros, e a operação teria produzido resultados positivos para o Banco de Brasília. Eles também afirmaram que nenhuma perícia oficial identificou prejuízo.

Em outra manifestação, Vorcaro afirmou que não fez nada errado e pediu um voto de confiança. A investigação e as acusações ainda estão sujeitas à análise das autoridades competentes e à apresentação das versões das partes.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br