Desenrola 3.0: bancos terão cinco dias úteis para apresentar dívidas ao governo

Desenrola 3.0: bancos terão cinco dias úteis para apresentar dívidas ao governo

Instituições financeiras terão cinco dias úteis para informar ao governo quais dívidas pretendem oferecer para renegociação na primeira etapa do Desenrola 3.0. O prazo foi definido em uma portaria com o edital de chamamento publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

A terceira fase do programa prevê que a União compre carteiras de crédito com débitos antigos para viabilizar a renegociação com os consumidores. Segundo estimativa apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, os credores podem oferecer até R$ 90 bilhões em dívidas. Considerando o desconto mínimo de 90% exigido pelo programa, o custo máximo para a compra de todo esse volume seria de R$ 9 bilhões.

Chamamento não é abertura da renegociação para consumidores

A etapa iniciada pela portaria não convoca consumidores para renegociar débitos. O objetivo é medir o interesse de bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), além de dimensionar o volume de dívidas elegíveis em cada faixa de renda.

Para avançar no processo, os credores deverão informar as carteiras que pretendem vender à União, desde que elas atendam aos critérios do programa e estejam submetidas às condições mínimas de desconto.

Desenrola 3.0: bancos terão cinco dias úteis para apresentar dívidas ao governo
© Marcello Casal JrAgência Brasil

Etapas previstas para a compra das carteiras

O procedimento começa com a manifestação de interesse dos credores por meio do edital. Em seguida, as instituições terão cinco dias úteis para apresentar os débitos elegíveis. O governo analisará as informações e separará as carteiras por faixas de renda para definir a estrutura do leilão.

A compra das dívidas está prevista para novembro, mas poderá ser adiada para o início de dezembro. A intenção do governo é organizar a disputa de modo a beneficiar principalmente devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Caso a oferta de dívidas de baixa renda fique abaixo do esperado, poderá haver a aquisição de um volume maior de débitos de pessoas com renda mais alta.

Descontos podem superar 90%

Pelas regras do Desenrola 3.0, a União pagará, no máximo, 10% do valor nominal das carteiras adquiridas. Assim, se todo o volume estimado de R$ 90 bilhões for apresentado e comprado, o desembolso máximo será de R$ 9 bilhões.

O governo, porém, não é obrigado a comprar todas as carteiras ofertadas. A estratégia é estabelecer um orçamento para o leilão e estimular a concorrência entre os credores. Com isso, os descontos podem ficar acima do mínimo previsto, chegando, conforme as condições das carteiras, a percentuais entre 93% e 95%.

Quais dívidas podem participar

Criado por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, o Desenrola 3.0 prevê a compra, pela União, de carteiras com dívidas antigas para permitir a renegociação dos débitos pelos consumidores.

São Paulo (SP), 25/09/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da apresentação de novas medidas de proteção às famílias e à economia popular. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
© Marcello Casal JrAgência Brasil

Entre os critérios previstos estão dívidas de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito, e atrasos entre 720 e 1.645 dias — período equivalente a aproximadamente dois anos e quatro meses e quatro anos e meio.

Também podem ser incluídos débitos de cartão de crédito, tanto das modalidades rotativa quanto parcelada, e de crédito pessoal sem consignação em folha. As regras permitem ainda a participação de dívidas elegíveis de pessoas físicas e de microempreendedores individuais.

Estimativa inicial do programa

No lançamento da iniciativa, o governo estimou que o total de dívidas elegíveis poderia alcançar R$ 150 bilhões, com desembolso aproximado de R$ 15 bilhões. A previsão atual de R$ 90 bilhões corresponde ao volume esperado para esta etapa de apresentação das carteiras pelos credores.

Depois da análise das ofertas e da definição das faixas de renda, o governo deverá estabelecer as condições do leilão e selecionar as carteiras que serão compradas. Só após essas etapas serão detalhados os débitos que poderão ser renegociados pelos consumidores dentro do programa.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br