A Justiça de São Paulo tornou ré, nesta terça-feira (20), a policial militar Yasmin Ferreira, acusada de matar Thawanna da Silva Salmázio, na região de Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista. Segundo a denúncia, a agente disparou contra a vítima, que estava desarmada, durante uma discussão envolvendo uma viatura da corporação.
Yasmin Ferreira responderá por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A denúncia foi apresentada pelos promotores de Justiça Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Schaefer.
Discussão começou após viatura atingir casal
De acordo com o Ministério Público, Thawanna caminhava com o companheiro por uma rua do bairro quando uma viatura da Polícia Militar passou perto dos dois e colidiu com o braço do homem. O companheiro relatou que perdeu o equilíbrio e acabou atingindo o retrovisor do veículo.

Os policiais pararam para verificar o que havia acontecido. Conforme a versão apresentada pelos agentes, foi necessário empregar força física para conter o casal. A acusação, no entanto, afirma que o uso de força letal foi injustificado diante da situação.
Vítima foi atingida por disparo de calibre .40
Com o agravamento do desentendimento, a policial teria efetuado um disparo de calibre .40, que atingiu Thawanna na região abdominal. A denúncia sustenta que a vítima não portava arma e não representava uma ameaça que justificasse o tiro.

Ainda segundo a acusação, Thawanna permaneceu no local por mais de meia hora, sem receber assistência, enquanto agonizava em razão do ferimento. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu.
Promotores pedem indenização de R$ 1 milhão
Além da responsabilização criminal da policial, os promotores solicitaram que a Justiça fixe um valor mínimo de R$ 1 milhão para a reparação dos danos causados aos familiares de Thawanna da Silva Salmázio.
O caso também foi acompanhado por órgãos que pediram a apuração da conduta policial. A Ouvidoria da Polícia pediu a investigação da morte. O Ministério Público já havia informado que investigaria o caso.

Próximas etapas do processo
Com a decisão que tornou a policial ré, o processo seguirá para as etapas de instrução, nas quais serão analisadas provas e depoimentos. Ao final, a Justiça deverá decidir se a acusada será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
A acusação sustenta que as circunstâncias do disparo e a demora no atendimento agravaram a responsabilidade pelo resultado. A defesa da policial poderá apresentar sua versão dos fatos e contestar as qualificadoras apontadas pelos promotores ao longo do processo.
Links e documentos citados
- homicídio de Thawanna da Silva Salmázio
- Radioagência Voto no segundo turno vale como prova de vida do INSS
- Rádios
- TV Brasil Convidados falam sobre Dia Mundial de Combate ao Bullying
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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