Morre Mãe Senhora de Ewá, liderança do Candomblé, aos 104 anos

Morre Mãe Senhora de Ewá, liderança do Candomblé, aos 104 anos

Elza Bahia de Araújo, carinhosamente conhecida como Mãe Senhora de Ewá, faleceu em Salvador no último sábado, 17 de outubro de 2026, aos 104 anos. Considerada uma das mais antigas líderes do candomblé no Brasil, Mãe Senhora era a ialorixá do Ilê Axé Omi Ewá e completou 104 anos no dia 11 de setembro deste ano.

Legado e Contribuições

Com mais de sete décadas dedicadas à preservação das tradições do candomblé, seu trabalho foi destacado em nota pelo [Ministério da Igualdade Racial](https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br). Mãe Senhora de Ewá foi reconhecida não apenas por sua contribuição à religião, mas também por seu papel em acolher pessoas em sua comunidade, reforçando a importância da solidariedade e do respeito às tradições afro-brasileiras.

Morre Mãe Senhora de Ewá, liderança do Candomblé, aos 104 anos
© Arquivo pessoal

Reconhecimento pela Comunidade

A comunidade do Ilê Axe Omi Ewá prestou homenagem à sua memória, enfatizando a marca que ela deixou na história, na fé e na ancestralidade do povo. Em suas redes sociais, ressaltaram que ela cumpriu seu papel de matriarca, transmitindo conhecimento e fortalecendo a cultura do candomblé entre seus seguidores.

Rio de Janeiro (RJ), 02/02/2025 – Filhos de Gandhi celebra Dia de Iemanjá na zona portuária do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 02/02/2025 – Filhos de Gandhi celebra Dia de Iemanjá na zona portuária do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma Vida Dedicada ao Sagrado

Mãe Senhora de Ewá foi iniciada por Mãe Menininha e cresceu no tradicional Terreiro do Gantois. Ela deixa um legado familiar abrangente, com cinco filhos, netos, bisnetos, tataranetos e muitos filhos espirituais, conforme mencionado por comunidades como o Ilê Axé Raíxes Obá Kossô Omi. Sua vida, marcada por dedicação e entrega ao sagrado, é um testemunho da força e resistência das tradições afro-brasileiras.

Impacto Cultural e Social

Além de seu papel espiritual, Mãe Senhora de Ewá também foi uma figura importante no combate à intolerância religiosa. O crescimento de religiões como o candomblé e a umbanda reflete a luta por reconhecimento e respeito, como discutido em iniciativas como a que reconheceu a validade civil de casamentos na Umbanda e no Candomblé, conforme relatado em [notícias recentes](https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/rio-reconhece-validade-civil-de-casamentos-na-umbanda-e-no-candomble).

Rio de Janeiro (RJ) 02/02/2024 – Celebração ao Dia de Iemanjá, na praia do Arpoador. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ) 02/02/2024 – Celebração ao Dia de Iemanjá, na praia do Arpoador. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Conclusão

A partida de Mãe Senhora de Ewá deixa um vazio significativo na comunidade do candomblé e entre seus seguidores. Seu legado perdurará através dos ensinamentos que compartilhou e da cultura que ajudou a preservar, lembrando a todos da importância de honrar as tradições e a ancestralidade. Sua vida exemplar é um lembrete do papel fundamental que as lideranças religiosas desempenham na construção de sociedades mais justas e inclusivas.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br