Brasil se Destaca como o Segundo Maior Importador de Pesticidas Proibidos na União Europeia

Brasil se Destaca como o Segundo Maior Importador de Pesticidas Proibidos na União Europeia

No Dia Mundial da Alimentação, um relatório da Oxfam revelou que o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores importadores de pesticidas considerados tóxicos demais para uso na União Europeia (UE). Em 2024, o país recebeu aproximadamente 15 mil toneladas desses produtos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Impactos das Políticas de Exportação da UE

O estudo da Oxfam critica as políticas da UE, que, embora protejam sua população e meio ambiente, permitem a produção e exportação de substâncias proibidas para diversas nações. Essa prática é vista como uma forma de colonialismo, onde o continente europeu preserva sua segurança enquanto transfere riscos para países como o Brasil e a África do Sul, onde pesticidas altamente perigosos são amplamente utilizados.

Brasil se Destaca como o Segundo Maior Importador de Pesticidas Proibidos na União Europeia
© Cenipa/Divulgação

Consequências para a Saúde e o Meio Ambiente

A utilização de agrotóxicos importados tem sérias implicações para a saúde pública e o meio ambiente. Trabalhadores rurais e suas comunidades, além dos ecossistemas locais, estão expostos a produtos químicos nocivos. Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil, ressaltou a inaceitabilidade dessa situação, onde a UE proíbe substâncias para proteger seus cidadãos, mas permite que elas sejam exportadas para outras nações.

Crescimento das Exportações de Pesticidas

O relatório também destaca que, em 2024, os Estados-Membros da UE exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos, um aumento significativo em relação a anos anteriores. De acordo com os dados, 93 países, a maioria deles de baixa e média renda, importam esses produtos, o que enfatiza a desigualdade no acesso à segurança alimentar e à proteção ambiental.

BRASÍLIA, DF, BRASIL, 03-12-2014, 10:30: Índios de diversas etnias, movimentos sociais e sindicatos realizam ato contra o uso de agrotóxicos em frente à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). (Foto: Marcelo Camargo/Agência
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 03-12-2014, 10:30: Índios de diversas etnias, movimentos sociais e sindicatos realizam ato contra o uso de agrotóxicos em frente à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). (Foto: Marcelo Camargo/Agência

Concentração do Mercado de Pesticidas

A Oxfam identificou que quatro grandes empresas controlam 61% do mercado global de pesticidas, gerando receitas significativas com a venda de produtos considerados perigosos. Essa concentração de poder econômico nas mãos de poucas multinacionais resulta na transferência de riscos para países do Sul Global, onde as regulamentações são frequentemente mais fracas.

Trabalhador do campo usa pesticida e agrotóxico em plantação.
© Cenipa/Divulgação

Chamada para Ação

Diante desse cenário alarmante, a Oxfam pede a interrupção imediata da exportação de agrotóxicos proibidos e a implementação de normas que priorizem a saúde pública, os direitos das pessoas e a proteção ambiental sobre os interesses comerciais. Viviana Santiago enfatizou a necessidade urgente de mudanças significativas nas políticas de exportação.

Enquanto o Brasil continua a lidar com os efeitos do uso excessivo de pesticidas, a discussão sobre a segurança alimentar e ambiental se torna cada vez mais relevante, exigindo atenção e ação por parte de autoridades e da sociedade.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br