Estudo Revela Deficiências em Alertas de Desastres no Brasil

Estudo Revela Deficiências em Alertas de Desastres no Brasil

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) trouxe à tona a ineficácia dos alertas de desastres no Brasil, revelando que menos de 2% das mensagens de alerta enviadas via SMS entre 2018 e 2023 continham todas as informações necessárias para uma comunicação eficaz.

Estudo Revela Deficiências em Alertas de Desastres no Brasil
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Análise dos Alertas de Desastres

O estudo, intitulado “Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil”, analisou um total de 73.701 mensagens emitidas por órgãos de proteção e defesa civil. Os pesquisadores, Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, destacam que a comunicação clara e completa é fundamental para que as pessoas compreendam o risco ao qual estão expostas e saibam como agir em situações de emergência.

Deficiências na Comunicação

Os dados coletados mostram que aspectos cruciais para a eficácia dos alertas estavam ausentes. Por exemplo, apenas 7,7% das mensagens explicavam os danos potenciais dos perigos, 5,9% identificavam a localidade de risco e 9% informavam sobre a duração do alerta. Ademais, 76,2% das mensagens não especificavam sua categoria, como aviso ou alerta, e termos como ‘alerta’ e ‘aviso’ apareceram em apenas 19% e 2,2% das mensagens, respectivamente.

Brasília (DF) 12/09/2024 - Brigadistas do Prevfogo/Ibama e ICMBio combatem incêndios florestais na Terra Indígena Tenharim/Marmelos, no Amazonas Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Ibama
Brasília (DF) 12/09/2024 – Brigadistas do Prevfogo/Ibama e ICMBio combatem incêndios florestais na Terra Indígena Tenharim/Marmelos, no Amazonas Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Ibama

Desafios da Limitação de Caracteres

Os pesquisadores também apontaram a limitação de 160 caracteres imposta pelos SMS como um dos principais obstáculos para transmitir informações mais detalhadas e claras. Essa restrição dificulta a inclusão de dados cruciais que poderiam ajudar a população a entender melhor a situação e a agir de forma adequada.

A drone view shows a mural on a building as smoke from Amazon wildfires and a burning landfill hangs over Manaus, Brazil, October 8, 2026. REUTERS/Bruno Kelly
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Importância de um Sistema Multicanal

Em resposta a esses desafios, o estudo sugere a diversificação dos canais de comunicação, incorporando ferramentas como Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais, que têm se mostrado eficazes recentemente. Para Murilo Fonseca, não existe um único canal que atenda a todas as situações, e um sistema multicanal deve considerar as diversas características da população, como níveis de alfabetização e acesso à informação.

Dados Sobre os Tipos de Alertas

De acordo com a análise, a maioria das mensagens (73,6%) alertava sobre chuvas intensas. As comunicações sobre baixa umidade do ar e granizo representaram 8,5% e 4,2% das mensagens, respectivamente. Os pesquisadores observaram que 75% dos alertas foram disparados durante a primavera e o verão, que ocorrem entre setembro e março no Hemisfério Sul.

Brasília (DF), 09/10/2026 - Agentes do Corpo de Bombeiros controlam incêndio em área de mata na UnB. Foto: Luiz Cláudio Ferreira/Agência Brasil
Brasília (DF), 09/10/2026 – Agentes do Corpo de Bombeiros controlam incêndio em área de mata na UnB. Foto: Luiz Cláudio Ferreira/Agência Brasil

Conclusão

O estudo evidencia a necessidade urgente de melhorias na comunicação de alertas de desastres no Brasil. A implementação de estratégias mais eficazes e a adoção de sistemas multicanal podem ser cruciais para garantir que a população receba as informações necessárias de forma clara e oportuna, aumentando, assim, a segurança em situações de emergência.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br