Transformação Culinária: A Valorização da Ubarana na Baixada Fluminense

Na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, um grupo de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM) está revolucionando a economia local por meio da culinária. Elas utilizam saberes tradicionais para transformar um peixe antes desvalorizado, a ubarana, em pratos criativos e saborosos que geram renda e promovem a inclusão social.

O Impacto da Cozinha das Caranguejeiras

A Cozinha das Caranguejeiras, situada na sede da ACAMM, é responsável por uma variedade de pratos, incluindo estrogonofes, almôndegas e risoles, todos elaborados com ubarana. As receitas são uma combinação de tradição e inovação, refletindo o conhecimento passado de geração em geração. As mulheres dessa comunidade não apenas preparam alimentos, mas também realizam almoços especiais que atraem turistas e pesquisadores, criando uma conexão entre o local e o mundo exterior.

O Processo de Transformação e Inclusão

Márcia Regina, uma das líderes do projeto e ex-pescadora com 40 anos de experiência, destaca a importância da ação social promovida pela cozinha. Ela observa que muitas mulheres envolvidas no projeto enfrentam desafios emocionais, como a depressão, e que o trabalho em conjunto na cozinha proporciona um espaço de apoio e amizade. Essa interação não só melhora o bem-estar delas, mas também ajuda a sustentar 15 famílias na comunidade.

História e Tradição: A Ubarana

A ubarana, um peixe comum na Baía de Guanabara, é frequentemente subestimada devido ao seu grande número de espinhas, o que dificulta seu preparo e consumo. Tradicionalmente, era vista apenas como um complemento na alimentação da comunidade. No entanto, as mulheres da ACAMM conseguiram reverter essa percepção, criando receitas que valorizam a carne do peixe e, assim, transformando-o em uma opção atrativa no mercado.

Reconhecimento e Futuro

Com o apoio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cozinha das Caranguejeiras ganhou um espaço físico que permitiu expandir suas operações. O presidente da ACAMM, Rafael Santos, ressalta que, ao invés de ser um mero complemento alimentar, a ubarana agora é comercializada como um petisco, contribuindo para a sustentabilidade econômica da associação. Essa transformação é um exemplo de como a valorização de um recurso local pode repercutir positivamente em uma comunidade.

Conclusão: Uma Nova Era para a Comunidade

A experiência da ACAMM demonstra que a culinária, quando aliada ao conhecimento tradicional e à inovação, pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social e econômica. Ao resgatar a ubarana e dar-lhe um novo significado, essas mulheres não apenas melhoraram suas vidas, mas também criaram um modelo sustentável que pode inspirar outras comunidades a valorizarem suas próprias riquezas locais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br