O ator Bruno Gagliasso manifestou sua opinião sobre a importância de se produzir mais filmes que abordem a ditadura militar brasileira, que ocorreu entre 1964 e 1985. Durante a coletiva de imprensa em Brasília, ele compartilhou suas reflexões após interpretar Honestino Guimarães, um líder estudantil que foi preso e assassinado em 1973, no documentário-híbrido 'Honestino', dirigido por Aurélio Michiles.
Importância da Memória Histórica
Gagliasso expressou sua crença de que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito à produção cinematográfica sobre esse período sombrio da história. Ele argumentou que a quantidade de filmes sobre a ditadura é insuficiente e que a narrativa da luta por justiça e democracia deve ser perpetuada entre as novas gerações. "Nunca vai ser o suficiente. Eu acho que quem fala isso não vê o nosso cinema", disse o ator, ressaltando a importância de se contar histórias que fazem parte da identidade nacional.
Desafios na Documentação Histórica
O diretor Aurélio Michiles, também presente na coletiva, comentou sobre as dificuldades enfrentadas na documentar a vida de figuras como Honestino. Segundo ele, as lideranças estudantis da época evitavam que eventos fossem registrados em foto ou vídeo, visando proteger os participantes da repressão. "Os arquivos desse período são raros para que a repressão não recorresse a imagens e chegasse aos manifestantes", explicou Michiles.
A Produção do Filme
Diante da escassez de imagens históricas, Michiles optou por criar um filme híbrido, combinando documentos de arquivo com cenas interpretadas por atores. Gagliasso foi imediatamente atraído pela proposta, afirmando que conhecer sua própria história é um dever cívico. "É não deixar ser apagada. Eu quero que meus filhos saibam quem foi Honestino Guimarães", declarou o ator, enfatizando a necessidade de se manter viva a memória daqueles que lutaram por direitos.
Comparações com Outros Países
Nilson Rodrigues, produtor do filme, fez uma comparação entre o Brasil e outras nações sul-americanas que também viveram sob regimes ditatoriais. Ele ressaltou que, enquanto o Brasil produziu cerca de 30 filmes sobre o tema, a Argentina ultrapassou a marca de 100. Essa diferença revela uma lacuna na abordagem da história da repressão no Brasil, que precisa ser urgentemente preenchida.
Conclusão
A discussão levantada por Bruno Gagliasso e Aurélio Michiles destaca a urgência de se revisitarem e recontarem as narrativas da ditadura militar no Brasil. Com a estreia de 'Honestino' em 18 cidades brasileiras, há uma oportunidade valiosa para refletir sobre o passado e garantir que os ensinamentos desse período não sejam esquecidos. O cinema, como forma de arte e educação, desempenha um papel fundamental na preservação da memória histórica e no fomento ao debate sobre justiça e democracia.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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