Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo descobriram um equipamento de radioterapia abandonado no Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), localizado no coração de Goiânia. Essa descoberta marcaria o início do maior incidente radiológico da história do Brasil, que deixou cicatrizes profundas em uma família e na comunidade.
O Encontro com o Perigo
Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves, ao entrarem no desativado prédio do IGR, não sabiam que haviam encontrado uma cápsula contendo césio-137, um material radioativo altamente perigoso. Após removerem o lacre da cápsula, os catadores ficaram fascinados com o pó brilhante, que parecia inofensivo, e decidiram levar o material para casa. Esse ato inocente, porém, levaria a consequências devastadoras.
A Difusão do Perigo
Sem compreender a gravidade da situação, os dois venderam o césio a um ferro-velho pertencente a Devair Alves Ferreira, que também se deixou levar pela beleza do material. Devair, por sua vez, compartilhou a descoberta com familiares e amigos, sem qualquer noção do risco que estavam correndo. Logo, os primeiros sintomas de intoxicação começaram a aparecer: náuseas, tonturas e vômitos se tornaram comuns entre aqueles que manusearam o césio.
As Consequências Trágicas
Entre os mais afetados estava Leide das Neves, filha de Devair, que ingeriu partículas do material radioativo. Infelizmente, a menina faleceu em 23 de setembro, apenas dez dias após a exposição. Sua morte foi um dos primeiros sinais da tragédia em curso, levando à necessidade de um caixão de chumbo de 700 quilos para contê-la, dada a radiação que seu corpo ainda emitia. Outras três pessoas também perderam a vida nas semanas seguintes, em decorrência da exposição ao césio.
Memórias de Dor e Perda
Recentemente, a dor se agravou para dona Lourdes, mãe de Leide, com a morte de seu filho Lucimar, que faleceu em decorrência de complicações de saúde associadas ao acidente. O diretor do curta-metragem 'Lourdes e Leide', Angelo Lima, expressou sua tristeza pela perda, ressaltando o impacto emocional que a tragédia teve sobre a família. "Essa é uma tragédia que destrói vidas e famílias", comentou o diretor em uma entrevista após a exibição do documentário.
Reflexões sobre a Tragédia
O curta-metragem, exibido no Festival Bonito CineSur, busca relembrar e denunciar o sofrimento causado pelo acidente. A narrativa foca na vida solitária de dona Lourdes, marcada pelas memórias de sua filha. O diretor enfatizou a responsabilidade do Estado na tragédia, afirmando que as verdadeiras vítimas são aquelas que não tinham noção do que estavam lidando. A reflexão sobre o papel das autoridades é fundamental para que episódios semelhantes não se repitam.
Conclusão
A história do acidente com césio-137 em Goiás é um lembrete sombrio sobre os perigos do manuseio inadequado de materiais radioativos. O legado dessa tragédia é uma dor que persiste nas memórias de uma família marcada pela perda e pelo sofrimento. A exibição do curta-metragem é um passo importante para honrar a memória das vítimas e promover a conscientização sobre a segurança em relação a substâncias perigosas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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