O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nesta quarta-feira (1º), sugere a implementação de 187 projetos estruturantes, que poderão adicionar mais de 3 mil quilômetros ao sistema de transporte público nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil. O investimento total necessário para viabilizar essas iniciativas é estimado entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões.
Objetivos e Metodologia do Estudo
Desenvolvido em cooperação com o Ministério das Cidades, o estudo estabelece uma carteira de projetos com base em previsões populacionais e de demanda, considerando um horizonte de 30 anos. Os objetivos incluem não apenas a melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida dos usuários, mas também a promoção de maior segurança no trânsito, a geração de renda para a população e a redução das emissões de gás carbônico (CO₂) na atmosfera.
Projetos de Expansão e Investimentos
Entre os projetos destacados, o primeiro já contratado com o BNDES visa expandir a rede de transporte de Belo Horizonte (MG) de 84,2 km para 314,1 km, com um acréscimo de 229,9 km e investimentos de R$ 35,6 bilhões. As 21 regiões atendidas pelo estudo incluem cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, além do Distrito Federal.
Financiamento e Impacto das Iniciativas
O BNDES poderá financiar tais projetos por meio do Fundo Clima, uma linha de crédito que apoia iniciativas voltadas à redução de emissões de gases do efeito estufa e à adaptação às mudanças climáticas. Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco, afirmou que os projetos servirão como diretrizes para o governo federal, prefeitos e governadores, promovendo uma abordagem integrada para a mobilidade urbana.
Expectativas e Benefícios a Longo Prazo
O ministro das Cidades, Vladimir Lima, mencionou que o estudo representa uma oportunidade de transformar a mobilidade urbana no Brasil, comparando-o a um programa de grande impacto social, semelhante ao Minha Casa Minha Vida. Ele destacou a importância de que as soluções propostas tenham uma vertente social, proporcionando segurança e conforto, além de atender a questões climáticas e econômicas.
Desafios e Oportunidades para o Futuro
Luciene Machado, superintendente da Área de Soluções para as Cidades do BNDES, enfatizou que o ENMU busca romper um ciclo vicioso em que a receita disponível é insuficiente para atender às necessidades de investimento em mobilidade urbana. Com investimentos atuais de apenas 0,1% do PIB, há potencial para alcançar até 0,25%, o que representaria R$ 20 bilhões anuais.
Conclusão
A implementação dos projetos mapeados pode resultar na redução de 15% do tempo de deslocamento, no aumento do número de embarques diários e na diminuição do custo operacional por viagem. Além disso, estima-se que a execução dessas iniciativas poderá gerar 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos por ano, melhorando a acessibilidade e contribuindo para um futuro mais sustentável nas cidades brasileiras.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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