Peru vai às Urnas em Meio a Crise Política e Polarização

Neste domingo, aproximadamente 27 milhões de eleitores peruanos se dirigem às urnas para escolher o nono presidente em uma década marcada por turbulências políticas. Desde 2016, o país tem enfrentado uma instabilidade crescente, com a renúncia de dois presidentes e a destituição de seis deles pelo Congresso, que se tornou o verdadeiro poder no Peru.

Os Candidatos em Disputa

No segundo turno, os eleitores escolherão entre a direitista Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no primeiro turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que recebeu 12,0%. Apesar da vantagem inicial de Fujimori, analistas políticos indicam que o resultado da eleição é incerto, devido à polarização que sua candidatura representa.

Polarização e Legado Político

Segundo o antropólogo Salvador Schavelzon, professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a presença de Keiko Fujimori intensifica a polarização política, resultado de décadas de conflitos no país. Ele acredita que novos votos contrários à figura de Fujimori podem surgir, uma vez que Sánchez tem se posicionado como o defensor do anti-fujimorismo, que parece ter um peso significativo entre os eleitores.

O Legado de Alberto Fujimori

Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, não apenas carrega o legado de seu pai, condenado por violações de direitos humanos, mas também a rejeição que ele provoca. Em contraste, Roberto Sánchez, que foi ministro no governo do ex-presidente Pedro Castillo, promete reformas na Constituição e sociais, visando ampliar os direitos dos cidadãos.

Contexto Geopolítico

A eleição deste domingo possui implicações significativas para a geopolítica da América Latina, que tem se inclinado em direção a um alinhamento mais próximo com os Estados Unidos. A vitória de Fujimori poderia consolidar esta tendência, enquanto uma vitória de Sánchez não necessariamente representaria uma ruptura, considerando a fragilidade dos governos progressistas na região.

A Crise Política e Seus Reflexos

A instabilidade política no Peru se intensificou desde o governo de Ollanta Humala, que enfrentou um escândalo de corrupção relacionado à Odebrecht. Desde então, vários presidentes enfrentaram problemas legais, incluindo Pedro Castillo, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Atualmente, a vice-presidente Dina Boluarte assumiu a presidência, mas seu governo é marcado por um forte descontentamento popular e repressão violenta a protestos, resultando em várias mortes.

Desafios para o Futuro

Com a destituição de líderes e a queda de popularidade dos governantes, o Peru enfrenta um cenário desafiador. Independentemente do resultado das eleições, a necessidade de restaurar a confiança nas instituições e promover um diálogo político construtivo será crucial para a estabilidade do país nos próximos anos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br