Um menino de apenas dois anos perdeu a vida em Andradina, São Paulo, após receber uma medicação inadequada durante seu tratamento médico. O incidente, que ocorreu em maio de 2025, gerou uma denúncia do Ministério Público (MP), que investiga as circunstâncias que levaram a essa fatalidade.
Circunstâncias do Tratamento
José Rafael dos Santos Sailvano de Souza foi internado no hospital da cidade na noite de 6 de maio de 2025, apresentando um quadro de bronquiolite. A médica responsável pelo atendimento prescreveu 100 mg de hidrocortisona para o tratamento, mas, em um erro trágico, a criança recebeu uma dose de succinilcolina, um anestésico utilizado em intubações, que era oito vezes superior à dosagem recomendada para pacientes pediátricos.
Erro no Preparo da Medicação
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a técnica de enfermagem encarregada de preparar a medicação retirou o frasco de succinilcolina de uma gaveta destinada à hidrocortisona. A profissional não conferiu adequadamente o rótulo do frasco antes da administração do medicamento, o que resultou na aplicação da substância errada. Pouco após receber a medicação, a criança demonstrou sinais de complicações sérias, incluindo queda abrupta da saturação de oxigênio, vômito, bradicardia e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória.
Investigações e Consequências Legais
A equipe médica tentou reanimar o menino, mas ele não sobreviveu. Em decorrência das conclusões da investigação, o MP denunciou a técnica de enfermagem por homicídio culposo. Este tipo de homicídio ocorre quando não há intenção de matar, mas a negligência resulta em morte, agravada pela condição da vítima ser uma criança.
Posições dos Envolvidos
A defesa da técnica de enfermagem afirmou, em nota, que não concorda com as alegações do Ministério Público, argumentando que a responsabilidade pela tragédia não pode ser atribuída exclusivamente à profissional. A Unimed de Araçatuba, responsável pelo hospital onde o incidente ocorreu, anunciou que está acompanhando o processo e, em respeito ao andamento judicial, não irá comentar o caso no momento. A instituição reafirmou seu compromisso com a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento.
Análise da Dosagem Administrada
Relatórios do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística revelaram que a dose aplicada ao menino foi de 100 mg de succinilcolina. Para uma criança de dois anos, com peso estimado entre 12 e 13 quilos, a dosagem apropriada deveria variar entre 8 mg e 39 mg. O Ministério Público destaca que a administração da substância em uma dose tão elevada representa uma superdose, colocando em risco a vida do paciente.
Próximos Passos e Audiência de Instrução
No dia 2 de outubro, está prevista a primeira audiência de instrução do caso, que ocorrerá de forma virtual na 1ª Vara de Andradina. Este será um momento crucial para a apresentação das evidências e das testemunhas envolvidas, com o objetivo de elucidar os fatos que cercam essa lamentável ocorrência.
Reflexões sobre Segurança no Atendimento Médico
A morte de José Rafael suscita um debate sobre a segurança nos processos de administração de medicamentos em hospitais. Casos como esse evidenciam a importância de protocolos rigorosos e da conferência cuidadosa dos medicamentos, especialmente em unidades que atendem crianças, que são mais vulneráveis a erros médicos.
A tragédia não apenas impactou a família do menino, mas também levanta questões sérias sobre a responsabilidade das instituições de saúde em garantir a segurança de seus pacientes. A sociedade aguarda respostas e responsabilizações adequadas em busca de justiça para essa dolorosa perda.
Fonte: https://g1.globo.com
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