Crescimento do Comércio Brasileiro Atinge Recorde com Queda do Dólar

O comércio brasileiro registrou um crescimento de 0,5% entre fevereiro e março de 2026, impulsionado pela desvalorização do dólar, que facilitou as vendas de produtos importados. Este resultado representa a terceira alta consecutiva do setor, que alcançou um patamar recorde. Comparado a março do ano anterior, o comércio teve um aumento de 4%, e no acumulado dos últimos 12 meses, a expansão foi de 1,8%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, dia 13.

Desempenho Mensal e Tendência de Crescimento

O analista do IBGE, Cristiano Santos, destacou que o setor tem mostrado uma tendência de alta desde outubro de 2025, que não foi afetada pela baixa registrada em dezembro. Ao longo dos últimos meses, as variações no comércio foram as seguintes: outubro (0,5%), novembro (1%), dezembro (-0,3%), janeiro (0,5%), fevereiro (0,7%) e março (0,5%).

Setores em Alta e em Baixa

A pesquisa revelou que, entre os oito grupos de atividades analisados, cinco apresentaram crescimento em março. Os setores que mais se destacaram foram: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%); combustíveis e lubrificantes (2,9%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%); livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%). Por outro lado, as categorias de móveis e eletrodomésticos registraram uma queda de 0,9%, enquanto hipermercados, supermercados e produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentaram um recuo de 1,4%.

Impacto da Desvalorização do Dólar

De acordo com Santos, a alta de 5,7% em equipamentos e material para escritório está diretamente ligada à queda do dólar, que se desvalorizou em relação ao real, tornando produtos importados mais acessíveis. Em março, a moeda americana estava cotada a R$ 5,23, comparado a R$ 5,75 um ano antes. Esse cenário permitiu que as empresas aumentassem seus estoques e realizassem promoções, um fator que contribuiu significativamente para o desempenho do setor.

Desempenho do Setor de Combustíveis

Apesar do aumento nos preços dos combustíveis, impulsionado por conflitos no Oriente Médio, o segmento de combustíveis e lubrificantes ainda conseguiu um crescimento de 2,9%. Santos observou que a demanda se manteve estável, resultando em um aumento de 11,4% nas receitas do setor no mês de março.

Análise do Comércio Varejista Ampliado

No que diz respeito ao comércio varejista ampliado, que inclui atividades do atacado, como veículos, motos, partes e peças, além de material de construção e produtos alimentícios, houve uma elevação de 0,3% de fevereiro para março, com um crescimento de 0,2% no acumulado dos últimos 12 meses. Este resultado reflete a dinâmica positiva do setor, mesmo diante de desafios inflacionários.

Conclusão

O crescimento contínuo do comércio brasileiro, impulsionado pela queda do dólar e pelas estratégias promocionais das empresas, sinaliza um cenário otimista para o setor. Com uma recuperação gradual e segmentos em alta, as expectativas são de que essa trajetória positiva se mantenha, contribuindo para a sustentabilidade econômica do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br