Celebração dos 70 anos de Mestra Fatinha e o Dia Estadual do Jongo

Os 70 anos de vida de Maria de Fátima da Silveira Santos, carinhosamente conhecida como Mestra Fatinha, serão celebrados em um evento especial que coincide com o Dia Estadual do Jongo. A festividade ocorrerá no dia 25 de novembro, no Parque das Ruínas de Pinheiral, localizado na região sul do estado do Rio de Janeiro. A programação inclui o 5º Encontro dos Jongos do Vale do Café, que reunirá 450 representantes de 18 quilombos e comunidades tradicionais de jongo dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

A Importância do Encontro

Este evento tem um significado profundo para Mestra Fatinha, pois representa não apenas uma comemoração de sua vida, mas também uma reafirmação da cultura ancestral. O Parque das Ruínas de Pinheiral, onde o encontro será realizado, é um local emblemático, associado à história da escravidão no Brasil. No passado, a área abrigou a fazenda São José dos Pinheiros, uma das maiores plantações de café da época colonial, que era lar de mais de três mil escravizados.

A Luta pela Preservação Cultural

Mestra Fatinha é uma figura central na resistência e na promoção da cultura negra na região do Vale do Café, tendo dedicado 50 anos de sua vida a essa causa. Ela destaca que o jongo serve como uma potente bandeira de luta do povo negro, sendo uma forma de organização e expressão dos sentimentos de saudade da África e de culto aos orixás. O movimento negro na região ganhou força entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, período em que ela começou sua militância no Clube Palmares, o único clube social de negros do estado do Rio de Janeiro.

Reconhecimento e Valorização

O trabalho de Mestra Fatinha foi reconhecido academicamente, culminando no título de notório saber concedido pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela tem sido uma referência na promoção de encontros e discussões sobre a cultura afro-brasileira, com foco em transmitir a importância das histórias e lutas dos antepassados para as novas gerações, especialmente crianças e adolescentes.

Certificação Quilombola

A luta pelo reconhecimento cultural também levou à certificação da região como comunidade quilombola pela Fundação Palmares. Mestra Fatinha expressa a intenção de avançar com o processo no Incra para a delimitação da área, o que traria maior visibilidade e autenticidade ao trabalho cultural já realizado pela comunidade. Ela acredita que essa certificação é um passo importante para a valorização da cultura local.

O Jongo como Patrimônio Cultural

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005, o jongo, também conhecido como congo ou caxambu, é uma manifestação cultural típica da região Sudeste brasileira. A tradição é mantida por descendentes de africanos de origem Bantu, que foram trazidos para trabalhar nas plantações de café e cana-de-açúcar. Após a abolição da escravatura, o jongo se espalhou para os morros cariocas, continuando a ser uma expressão vital da cultura afro-brasileira.

Conclusão

A celebração dos 70 anos de Mestra Fatinha, aliada ao Dia Estadual do Jongo, é uma oportunidade para reafirmar a identidade e a resistência cultural do povo negro no Brasil. Através de eventos como o 5º Encontro dos Jongos do Vale do Café, a comunidade se une para preservar suas tradições e contar suas histórias, garantindo que as novas gerações conheçam e valorizem sua herança cultural.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br